Ilustração de Marlon Anjos
Ilustração de Marlon Anjos

A história esquecida do trotskismo na Revolução Espanhola: o POUM e os “bolchevique-leninistas”

Marcio Lauria Monteiro

Nesse 17 de julho completaram-se 80 anos do começo do golpe de Estado encabeçado pelo general Francisco Franco y Bahamonde contra o recém eleito governo da Frente Popular e do levante revolucionário que os trabalhadores da Espanha realizaram em resposta ao mesmo. Nessas oito décadas, muito já se escreveu sobre a revolução e a guerra civil, que duraram de 1936 a 1939. Ainda assim, com frequência é reproduzida a caracterização equivocada do Partido Operário de Unificação Marxista (POUM) como sendo uma organização “trotskista” (ou de “inspiração trotskista”), ao passo que continua relegada ao esquecimento a atuação daqueles efetivamente ligados ao agrupamento internacional então encabeçado por Leon Trotski.

Compreender a exata relação do POUM com o trotskismo, bem como resgatar as análises e a atuação daqueles que efetivamente se reivindicavam como tal, não só permite desfazer confusões que perduram, mas também trazer à tona aspectos da história dessa revolução que são convenientemente apagados pela narrativa que apresenta a Frente Popular e seus componentes como resolutos heróis antifascistas, derrotados pela covardia das nações “democráticas” em não intervirem a favor da República. Aspectos esses que revelam uma história muito diferente e permitem explicar de forma mais refinada o(s) porquê(s) dessa trágica derrota.

As origens do POUM, sua relação com o trotskismo e sua atuação na revolução

O POUM é com frequência considerado a “ala esquerda” da Frente Popular e, consequentemente, da Revolução Espanhola. Papel semelhante costuma ser atribuído aos anarcossindicalistas da Federação Anarquista Ibérica (FAI), que hegemonizavam a Confederação Nacional do Trabalho (CNT). De fato, o POUM possuía uma posição bastante crítica ao Partido Comunista da Espanha (PCE) e ao Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que lideravam a Frente Popular. Quando teve início a guerra civil, ele se posicionou contra a estratégia nacional-reformista do stalinismo e da socialdemocracia, de lutar primeiro pela República e deixar a revolução socialista para um futuro incerto. Nesse sentido, o POUM defendeu publicamente as expropriações de terras e ocupações de fábricas que ocorreram ainda nos primeiros momentos da insurreição contra o golpe militar de Franco, encarando que era necessário liquidar o conjunto da burguesia para impedi-lo. Foi também um defensor dos vários comitês que se alastraram como forma de organizar a resistência nas fábricas, bairros, no campo e nos fronts, apontando que eles deveriam se unificar em um poder proletário revolucionário. (THOMAS, 1977)

Sua origem remete ao trotskismo, uma vez que foi fundado em setembro de 1935 como fruto da fusão entre a Esquerda Comunista da Espanha (ICE) e o Bloco Operário e Camponês (BOC). Enquanto o BOC, liderado por Joaquín Maurín, havia sido formado a partir da fusão entre diversas dissidências do PC espanhol e integrava a “Oposição à Internacional Comunista” (também conhecida como “oposição de direita” ou “bukharinista”), a ICE havia surgido em 1930 enquanto seção da Espanha da Oposição de Esquerda Internacional, liderada por Leon Trotski. Todavia, a fusão da ICE com o grupo de Maurín foi a culminação de uma batalha interna que havia começado no ano anterior, tendo resultado em sua separação da Oposição – à altura renomeada “Liga Comunista Internacional” e em campanha pela fundação da Quarta Internacional.

Essa divergência girou em torno da aplicação ou não da tática de “entrismo” no PSOE, então preconizada pela Liga como forma de disputar setores da socialdemocracia que estavam se radicalizando e se afastando do reformismo. Andreu Nin, dirigente da organização e antigo secretário de Leon Trotski, foi um dos que se opuseram firmemente a ela, defendendo, ao invés, a integração da ICE ao BOC. Não bastasse a diferença sobre como construir o partido revolucionário na Espanha, logo após sua fundação o POUM aderiu ao chamado Birô de Londres, ou Centro Marxista Revolucionário Internacional – um agrupamento internacional que a Liga caracterizava como “centrista”. E o afastamento entre a Liga e os antigos membros da ICE se aprofundou ainda mais em janeiro de 1936, quando o POUM assinou o manifesto eleitoral da Frente Popular, o que Trotski condenou duramente como uma “traição” (BROUÉ, 2014; TROTSKI, 2014).

Com a criação do POUM, basicamente deixou de existir uma seção da Liga na Espanha, tendo os poucos membros da ICE que se mantiveram ligados a ela (não mais que meia dúzia) adentrado o PSOE para aplicar a linha entrista (GUILLAMÓN, 2004). O italiano Nicola di Bartolomeo, atuando com o pseudônimo “Fosco”, foi então enviado para o país em maio de 1936 para tentar reorganizar um grupo a partir de Barcelona, junto a sua esposa Victoria Gervasini (pseudônimo Sonia).

Dada a inexistência de um grupo sólido de “bolchevique-leninistas” (como então se autodenominavam os trotskistas mundo afora) quando da eclosão da revolução em julho de 1936, a Liga resolveu tentar uma aproximação com o POUM, sob a perspectiva de que o novo momento exigia lutar com urgência pela formação de um partido revolucionário – sem, no entanto, abrirem mão de suas críticas ao que consideravam a linha centrista do partido. Nesse sentido, assim que se encerrou a Conferência Internacional da Liga, ocorrida em Bruxelas em meados de julho, uma delegação foi enviada à Barcelona.

Os primeiros contatos com o POUM foram bem sucedidos, e Fosco foi encarregado de organizar, junto ao bolchevique-leninista francês Robert de Fauconnet (posteriormente morto em combate), a coluna de voluntários internacionais da milícia poumista, a primeira do tipo a ser formada na Guerra Civil e que foi batizada “Coluna Internacional Lenin”. Já “Sonia” foi encarregada de operar a rádio do partido em Barcelona e de traduzir seus boletins para outras línguas, com o auxílio de outros bolchevique-leninistas. Trotski foi convidado por Nin a escrever regularmente para o periódico nacional do partido e também a se mudar para Barcelona.

A fusão do BOC e da ICE fizeram do POUM um partido bastante dividido, onde diversos militantes simpáticos à política de Trotski conviviam com outros tanto acríticos ao stalinismo. Mas as perspectivas de avançar para a construção de um partido revolucionário com base no POUM foram frustradas pelo comprometimento cada vez maior deste com a política da Frente Popular. Fruto dessa heterogeneidade, que pendia para a antiga ala “bloquista”, e do receio comum aos membros do partido em não se isolarem do resto da esquerda, em particular da CNT/FAI, em outubro de 1936 o POUM acabou por aceitar integrar o governo local catalão (a Generalitat), tendo Nin assumido o cargo de Ministro da Justiça – sob protestos da regional madrilenha, que quase rompeu com o partido. (BROUÉ, 2014)

A Generalitat catalã foi reorganizada como forma da Frente Popular, com o auxílio da CNT/FAI, reassumir o controle da região, que desde julho se encontrava na prática nas mãos do Comitê Central das Milícias Antifascistas (ainda que esse formalmente fosse submetido ao governo local), órgão criado para unificar as milícias. Também em outubro, o Presidente Largo Caballero (PSOE) promulgou um decreto de “militarização” das milícias, visando a formação de um exército nacional unificado. Travava-se de um esforço generalizado de reconstruir o Estado burguês, deixado em frangalhos pela insurreição proletária de julho e pela deserção franquista no Exército.

O governo central e os enviados de Moscou, que passaram a chegar em grandes levas a partir de novembro, viam os comitês e as milícias autônomas como um empecilho para sua aliança com a burguesia liberal e, especialmente, para o tão almejado apoio da França e da Inglaterra, cujos governos viam a Frente Popular com enorme desconfiança. Dessa forma, sob crescente pressão moscovita, a dualidade de poderes criada a partir de julho foi sendo paulatinamente destruída por dentro, pela pressão do PSOE e PCE e pela adesão da CNT/FAI e do POUM às mesmas.

Essa política atingiu seu auge em 1937. Em abril ocorreram uma série de pequenos conflitos na Catalunha, entre tropas enviadas pelo governo central e milícias que se recusavam a entregar suas armas e ceder o controle de entrepostos. A situação se tornou explosiva quando, em 3 de maio, um enviado do PSUC (sucursal catalã do PCE) tentou retirar à força o controle da CNT/FAI sobre a central telefônica de Barcelona. Na sequência da tentativa malsucedida, trabalhadores pegaram em armas e ergueram barricadas por toda a cidade, que ficou sob seu controle. No dia seguinte, Caballero e os “anarcoministros” Garcia Oliver e Frederica Montseny (CNT/FAI) enviaram desde Madrid mensagens apaziguadoras em nome do governo central, ao que o Comitê Regional da CNT/FAI respondeu com um chamado ao armistício, tendo o POUM a ele aderido no dia seguinte.

Após o armistício, a Generalitat decidiu pela dissolução do Comitê Central das Milícias Antifascistas e dos comitês autogestionados. A CNT/FAI apoiou a proposta e o POUM, após uma oposição inicial, também acabou por aderir. Com tais medidas, se fortaleceu o governo da Frente Popular, em detrimento dos órgãos de dualidade de poder. Medidas essas implementadas na base de profunda repressão policial às vozes mais radicais no interior da CNT, bem como ao próprio POUM – que o PCE, à altura já completamente sob o controle dos enviados moscovitas, exigia que fosse posto na ilegalidade e expulso da Generalitat. Ante a negativa de Caballero em ilegalizar o POUM, os stalinistas arquitetaram um golpe que o removeu do poder e permitiu que assumisse Juan Negrín, ligado à ala direita do PSOE e muito mais aberto às demandas soviéticas. (CASANOVA, 1977; BROUÉ, 2014; THOMAS, 1977)

Sob Negrín a contrarrevolução foi consolidada, esmagando as vozes mais radicais, dissolvendo os organismos proletários autônomos e reconstruindo um exército nacional unificado sob comando da Frente Popular. O POUM foi posto na ilegalidade e muitos de seus membros foram presos, tendo tantos outros tido que adentrarem a clandestinidade para fugirem do governo e dos assassinos enviados por Moscou. O próprio Nin foi vítima dessa repressão: sequestrado em julho de 1937, foi torturado, morto e esquartejado. Nos anos que se seguiram, o partido passou por uma intensa crise interna, decorrente dos balanços da sua adesão à Frente Popular e à dissolução dos organismos de poder proletário (GONZÁLES, 2006).

Os “bolchevique-leninistas”, suas análises e atuação

Entre julho e agosto de 1936, desde seu exílio na Noruega, Trotski escreveu intensamente sobre os eventos na Espanha, defendendo a perspectiva de que a política de aliança com a burguesia em detrimento da revolução social em curso levaria à derrota na luta contra Franco. Segundo suas análises, a tarefa central era unificar os vários comitês já existentes, formando um comando central democraticamente eleito e que dirigisse a classe trabalhadora à expropriação da burguesia, o que chamaria à ação os trabalhadores nos territórios sob controle franquista. No mesmo sentido, defendia o direito à autodeterminação das várias nacionalidades oprimidas no interior da Espanha e, especialmente, a independência do Marrocos – o que golpearia fatalmente as forças franquistas. (TROTSKI, 2014) Mas o governo norueguês, sob pressão de Moscou, o submeteu à prisão domiciliar em agosto, isolando-o do mundo (BROUÉ, 2014).

Seguindo à risca essa linha política, os bolchevique-leninistas que atuavam na Espanha criticavam as vacilações do POUM ante a Frente Popular, especialmente sua entrada no governo da Generalitat. Além de combaterem nas fileiras da Coluna Internacional Lenin, ainda abriram trabalho no seio do POUM, sob a coordenação de Adolfo Carlini. Eles também se ofereceram para cooperarem na organização de um levante no Marrocos, junto a uma organização independentista marroquina, mas Caballero, a quem chegaram por intermédio do POUM, recusou a proposta por medo de levantar a ira da França, que também dominava a região. (BROUÉ, 2014; GONZÁLEZ, 2006)

Na sequência do decreto da “militarização”, a Coluna Internacional Lenin foi dissolvida e os bolchevique-leninistas requisitaram entrada no POUM como fração, mas tiveram o pedido rejeitado pelo próprio Nin. Ainda assim, Carlini continuou a coordenar uma fração bolchevique-leninista do interior do partido até maio de 1937, quando a adesão do POUM à contrarrevolução levou sua direção a realizar uma série de expurgos em suas próprias fileiras. (BROUÉ, 2014; GUILLAMÓN, 2004)

Com a dissolução da milícia coordenada por Fosco, muitos bolchevique-leninistas estrangeiros partiram da Espanha. Aqueles que e permaneceram se organizaram no diminuto “Grupo Bolchevique Leninista” (GBL), que publicava o jornal Le soviet. Esse grupo, entretanto, logo se viu dividido, por conta da defesa de Fosco de que se deveria entrar no POUM mesmo que não fosse possível a formação de uma fação oficial, o que alguns viram como “liquidacionismo”. Também gerou polêmicas a filiação de Fosco à ruptura operada por Raymond Mollinier e Pierre Frank na seção francesa naquele mesmo mês de outubro.

Ante as crescentes tensões no interior do GBL, em novembro surgiu a “Seção Bolchevique-leninista da Espanha” (SBLE), impulsionada graças ao retorno do México do antigo dirigente da ICE, “Grandizo Munis” (pseudônimo de Manuel Martínez). Mas a SBLE só ganhou volume em janeiro de 1937, quando parte dos membros do GBL a ela aderiram, deixando Fosco bastante isolado. A partir de abril desse ano, a SBLE foi então capaz de publicar o jornal La Voz Leninista e distribuir panfletos em Barcelona. Igualmente impossibilitado de atuar enquanto fração no interior do POUM, o grupo dirigido por Munis buscou atuar sobre as bases daquele e também no interior da CNT, onde realizou novos recrutamentos e desenvolveu uma série de atividades em comum com o agrupamento anarquista “Amigos de Durruti”, que criticava a adesão faísta ao governo da Frente Popular e às medidas contrarrevolucionárias.

Apesar de amplamente ignorado pela história do movimento trotskista, a SBLE era o grupo “oficial” da Liga Comunista Internacional na Espanha. Sua linha política central era de denúncia à colaboração do POUM e da CNT/FAI com o governo do PSOE / PCE e de agitação pela formação de uma frente única proletária capaz de tomar o poder e expropriar a burguesia. Durante o levante de maio em Barcelona, a SBLE e os “Amigos de Durriti” foram os únicos a panfletarem convocando a formação de comitês revolucionários, que assumissem o controle da cidade e se espalhassem por toda a Catalunha. O balanço que fizeram do armistício e da posterior dissolução dos vários comitês autogestionários foi de que era um triunfo da contrarrevolução, com a qual a CNT/FAI e o POUM haviam colaborado. (GUILLAMÓN, 2004)

A repressão que atingiu o POUM a partir de maio de 1937 também se estendeu aos bolchevique-leninistas, que tiveram os dirigentes Hans Freund (pseudônimo “Moulin”) assassinado em meados de 1937 e Munis, Alfonso Rodríguez e Antonino Alvarez presos em fevereiro de 1938 – os quais conseguiram fugir para a França pouco antes das tropas franquistas terem tomado Barcelona. (GUILLAMÓN, 2004) Após a prisão de Munis e dos outros dirigentes da SBLE, a direção do grupo foi assumida pelo polonês “M. Casanova” (pseudônimo de Mieczyslaw Bortenstein). Sob sua direção, a SBLE conseguiu incidir na crise interna pela qual passou o POUM após maio de 1937 (GONZÁLES, 2006).

Ao fugir para a França ainda antes do golpe de Estado de Miaja-Casado – que removeu Negrín com apoio do PSOE e da CNT/FAI e propôs um armistício a Franco – Casanova proferiu uma palestra sobre sua experiência e a de seus camaradas, posteriormente publicada como livro. Seguindo a linha segundo a qual apenas a revolução socialista poderia ter derrotado Franco, ele argumentou que “Foi a aplicação da fórmula ‘primeiro ganhar a guerra, depois fazer a revolução’ que conduziu, como o tínhamos previsto já em 1936, à perda, primeiro da revolução, depois da guerra” (CASANOVA, 1977, p. 65).

Trotski, ao chegar ao México após deixar a Noruega, teceu balanço similar, mais uma vez enfatizando a necessidade urgente de se construir partidos revolucionários capazes de liderarem o proletariado à vitória com base em um programa socialista – uma tarefa na qual avaliava que o POUM fracassara, ao se deixar ser levado a reboque pela política da Frente Popular (TROTSKI, 2014). Desde Paris, os exilados da antiga SBLE também publicaram balanços nos quais condenavam as vacilações e capitulações da CNT/FAI e do POUM e apontavam a responsabilidade da política stalinista de colaboração de classes na derrota não só do proletariado da Espanha, mas da própria causa republicana, dita “democrático-burguesa” (GONZÁLES, 2006).

Pois, ao fim e ao cabo, tanto a burguesia espanhola, umbilicalmente ligada às velhas elites fundiárias, quanto o imperialismos francês e inglês, preferiram a ditadura de Franco e seu bando nacionalista, católico-conservador e fascista à única alternativa viável para derrota-lo: a revolução socialista, que tomaria suas terras, ocuparia suas fábricas, garantiria autodeterminação às nacionalidades oprimidas e ao Marrocos e levaria o proletariado ao poder, além de dar enorme impulso à revolução mundial. Que aos 80 anos da revolução seja lembrada a lição de que não há caminho intermediário possível entre a dominação burguesa e a revolução socialista, sendo a colaboração de classes um beco sem saída para a classe trabalhadora.

Referências bibliográficas

BROUÉ, Pierre. “Trotski e a guerra civil espanhola” [1975]. In TROTSKI, Leon. A Revolução Espanhola – compilação. São Paulo: Iskra, 2014, p. 339-58.

CASANOVA, M. [Mieczyslaw Bortenstein]. Espanha abandonada. Como Stalin abriu as portas a Franco [1939]. Lisboa: Antídoto, 1977.

GONZÁLEZ, Luis. El trotskismo en España. Las organizaciones trotskistas en el Estado español desde 1930 a la actualidad. Madrid: POSI, 2006.

GUILLAMÓN, Agustín. “Introducción Histórica”. In _____ (dir.). Documentación histórica del trosquismo español (1936-1948) [1996]. Valencia: Alexandría Proletaria, 2004, p. 15-31.

THOMAS, Hugh. La Guerra Civil Española [1961]. Barcelona: Grijalbo, 1977.

TROTSKI, Leon. A Revolução Espanhola – compilação. São Paulo: Iskra, 2014.