Colagem de D. Muste

Gramsci e a Revolução Russa

Alvaro Bianchi e Daniela Mussi (Tradução: Fernando Pureza) Oitenta anos atrás, em 27 de abril de 1937, Antonio Gramsci morreu depois de passar sua última década numa prisão fascista. Reconhecido postumamente por seu trabalho teórico em seus cadernos do cárcere, as contribuições políticas de Gramsci começaram durante a Guerra Mundial, quando ele era um jovem estudante de linguística na Universidade de Turim. Mas mesmo naquela época, seus artigos na imprensa socialista desafiavam...

Ilustração de Antônio Máximo

Dicionário gramsciano: prefácio à edição brasileira

  Alvaro Bianchi É notável o desenvolvimento dos estudos gramscianos ao redor do mundo. Pesquisas especializadas têm sido publicadas com frequência cada vez maior, o número de pesquisadores interessados na obra de Antonio Gramsci aumenta constantemente, e seu nome tem aparecido no debate público, algumas vezes de maneira estridente.[1] Quando considerado globalmente, esse desenvolvimento é desigual e combinado. Sob influência da expansão dos estudos gramscianos em outros...

Ilustração de Marlon Anjos

Clausewitz: guerra, política e revolução

  Alvaro Bianchi  (Prefácio ao livro de Rodrigo Duarte Fernandes dos Passos. Clausewitz e a política. Ijuí: Unijuí, 2014.) A chegada das tropas de Napoleão Bonaparte à Prússia abalou profundamente o modo de pensar dos alemães, mas também o modo do Ocidente se imaginar a si próprio. A Revolução Francesa de 1789 dissolveu relações feudais; trouxe o povo para a política, concedendo-lhe direitos até então negados; secularizou as propriedades da Igreja; promoveu a reforma...

Ilustração de Amalyn malix

Edmundo Fernandes Dias: a pedagogia como política e a política como pedagogia

Alvaro Bianchi Os organizadores do VIII Colóquio Internacional Marx Engels que dirigisse algumas palavras aos presentes em homenagem a meu mestre e amigo, o professor Edmundo Fernandes Dias, falecido em 2013.[1] Para ser justo, e justiça era algo importante para o homenageado, é necessário iniciar parabenizando o diretor do Cemarx, Sávio Cavalcanti, pela realização deste momento e felicitando o professor Armando Boito pela iniciativa e sua insistência para que esta tivesse lugar. Embora...

Ilustração de Antônio Máximo

Crítica ao militarismo

Alvaro Bianchi Para existir o militantismo necessita de uma concepção de partido-como-um-exército. No plano organizativo o militantismo exige o militarismo. A tensão psíquica e física decorrente do ativismo frenético e irrefletido precisa ser ferreamente controlada e canalizada para os fins desejados pelo estado-maior. Não basta o convencimento para manter o militantista em atividade. É preciso subordiná-lo e enquadrá-lo no interior de um dispositivo ameaçador. A necessidade...

Ilustração de Antônio Máximo

Crítica ao militantismo

Alvaro Bianchi Sem o controle contínuo do pessimismo do intelecto o otimismo da vontade facilmente se converte em puro militantismo. O militantismo é o fetichismo da ação, a crença de que a atividade permanente e direta conduzirá inevitavelmente a uma vitória decisiva. Com a vitória ao alcance das mãos é preciso colocar-se em frenético movimento. Da panfletagem ao piquete, do piquete à assembleia, da assembleia à reunião, para a seguir reiniciar o ciclo. O militantismo conduz toda...