Ilustração de Celly Inatomi

Outras razões para “13 Reasons Why”

Rosi Morokawa “Recuse-se a expressar uma emoção e ela morre” (William James, 1884). Quem nunca pensou nas razões que alguém teve para tirar sua própria vida? Ou se havia alguma razão, ou se haveria algo que pudesse ser feito para impedir tal acontecimento? Quando isto acontece com alguém próximo um “porquê?” é inevitável. Se acontece com alguém que conhecíamos pouco, o “porquê?” pode tomar alguns segundos, ou quem sabe minutos?, de nossas vidas. Mas por vezes a pessoa...

Ilustração de Amalyn Malix

Elis Regina e os conflitos no campo musical brasileiro dos anos 1960 e 1970

Romulo Mattos I O filme Elis, de Hugo Prata, enfatiza a personalidade de Elis, sem aprofundar a explicação sobre a sua carreira. Essa característica estrategicamente contribui para a anulação das contradições de sua atuação profissional e das disputas que protagonizou no campo musical dos anos 1960 e 1970, principalmente. Essa crítica será desenvolvida com vagar neste texto. Como a obra cinematográfica inicia a história de Elis em abril de 1964, ela oculta a existência do primeiro...

Ilustração de Marlon Anjos

O tecido de Chapecó

Carlos Eduardo Rebuá “Para mim, a literatura é uma forma de brincar. Mas sempre acrescentei que existem duas maneiras de brincar: o futebol, por exemplo, é basicamente um jogo, e jogos são algo muito sério e profundo. Quando as crianças brincam, em­bora estejam se divertindo, levam a brincadeira muito a sério. É importan­te. (…) A literatura é assim – um jogo, mas um jogo no qual a gente pode colocar a própria vida. Pode-se fazer tudo por esse jogo”. [Julio...

Ilustração de Marlon Anjos

Cantando com a ditadura militar: um diálogo com a cinebiografia Elis

Romulo Mattos I O ponto mais polêmico do filme Elis, de Hugo Prata, diz respeito à participação da cantora nas Olimpíadas do Exército, que integravam a Semana da Pátria, em pleno governo Médici. A artista teria sido uma colaboradora da ditadura ou, ao contrário, uma vítima dos militares? A cinebiografia investe nessa segunda linha de interpretação, sem fazer qualquer concessão àquela primeira. No entanto, os expectadores mais críticos ficaram com uma pulga atrás da orelha...

Ilustração de Mácia Teixeira

Aquarius: o filme-edifício e a experiência de habitar

Victor Vigneron Imagem em movimento ou mobilização do olhar? Não é incomum que um comentário crítico seja precedido da definição de seu escopo, um prospecto onde o autor apresenta seus princípios. Mas o que poderia servir como explicitação de um itinerário possível muitas vezes reivindica estatuto de exclusividade: cinema é isto, aquilo está fora. No caso de Aquarius (2016, Kleber Mendonça Filho), essa tendência reage à mobilização política do filme, cuja manifestação...

Ilustração de Amalyn Malix

20 anos sem Renato Russo: o que a sua estreia com a Legião Urbana tem a dizer hoje para a política

  Romulo Mattos No contexto do vigésimo aniversário de morte de Renato Russo, verifica-se um forte avanço conservador no Brasil. Oposta a qualquer tipo de conservadorismo era a sua visão política, expressa em letras de música e em depoimentos concedidos à imprensa. Este texto trata da estreia de Renato Russo no mercado fonográfico, por meio do disco Legião Urbana (1985), no qual apresentou parte expressiva de sua abordagem politizada, que fez história do rock brasileiro, e...