Ilustração de Lyn Nascimento

Memória das Jornadas de Junho: ainda sinto o cheiro do vinagre e do gás lacrimogêneo

Demian Melo “Não vai ter Copa!” Ninguém seria capaz de afirmar onde foi que surgiu tal palavra de ordem, mas talvez essa, e não “Não é só por 20 centavos!”, seja a mais genuína palavra de ordem surgida nas Jornadas de Junho de 2013. Disputadas pelas mais diversas forças políticas do país, da esquerda à direita do espectro político, aquelas Jornadas ainda são motivo de muitas controvérsias interpretativas. Contudo, não seria extravagante afirmar que aquele levante...

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Ernst Nolte e a historiografia revisionista

Demian Melo Neste 18 de agosto de 2016 morreu o historiador alemão Ernst Nolte (1923-2016), um dos mais importantes especialistas na história do fascismo no período entre guerras, autor da tese de que entre 1917 e 1945 houve uma longa guerra civil europeia, a “segunda guerra de trinta anos”, provocada pelo “bolchevismo”. E se essa última ideia alcançou grande repercussão mesmo entre historiadores de esquerda,[1] sua interpretação tanto do fascismo quanto do comunismo é mais...

Desenho de Flora Próspero

A batalha pelo futuro: contra o projeto Escola Sem Partido

Demian Melo Quem diria, há alguns anos atrás, que teríamos que responder os argumentos estúpidos que embasam o projeto Escola Sem Partido? Como uma forma de manifestação da crise em curso, argumentos obtusos sobre a existência de um esquema de “doutrinação” nas escolas do país estão sendo capazes de mobilizar os afetos de uma massa de pessoas conservadoras. Temerosa do próprio mundo e resignada, essa massa busca interpretar a miséria em que estamos enfiados como resultante de...

Ilustração de Ricardo Flóqui

Sobre o fascismo e o fascismo no Brasil de hoje

Demian Melo “Por seu alto teor explosivo, a palavra “fascista” tem sido freqüentemente usada como arma na luta política. É compreensível que isso ocorra. Para efeito de agitação, é normal que a esquerda se sirva dela como epíteto injurioso contra a direita. No entanto, esse uso exclusivamente agitacional pode impedir a esquerda, em determinadas circunstâncias, de utilizar o conceito com o necessário rigor científico e de extrair do seu emprego, então, todas as vantagens...

Ilustração de Marlon Anjos

O fantasma do golpe de 1964: pois comparar não é acreditar que a história se repita

Demian Melo Aquela conhecida passagem do Marx sobre a história se repetir a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa vez por outra é incrivelmente interpretada como se o autor estivesse mesmo considerando que a história se repetisse.[1] O próprio título 18 Brumário de Luís Bonaparte parte da comparação entre dois golpes de Estado que na história da França tiveram sentidos muito diferentes: enquanto o original 18 Brumário de 1799 conduziu à entronização de um personagem...

Fotografia de Erick Dau

Para além da marolinha: a crise e a onda conservadora no Brasil

Demian Melo Uma análise dialética deve evitar entender a contradição como uma relação aritmética, onde a preponderância de um pólo deva implicar necessariamente na fraqueza relativa do outro. Na teoria da hegemonia de Gramsci, por exemplo, a relação entre coerção e consenso não implica que uma alta dose de consenso terá como par procedimentos de coerção mais soft. Vejamos um caso extremo. Na experiência do fascismo histórico, Mussolini e Hitler lideraram regimes políticos...