Grafite de Denis Pinho

Sobre o direito à cidade e o socialismo

Sabrina Fernandes O discurso do direito à cidade é múltiplo e flexível. Ele é o foco de livros de geografia crítica, figura em tópicos de discussão da política institucional, e possui uma ressonância legitimadora quando debatido em mesas de grandes congressos e seminários. Esse último caso foi visível em um seminário nacional realizado recentemente pelo Governo Federal e outras entidades juntamente às Nações Unidas. Enquanto o Ministério das Cidades, encabeçado por Gilberto...

Ilustração de Marlon Anjos

“O Rei do Gado” e os movimentos sociais: vale a pena ver de novo os anos 1990?

Rejane Carolina Hoeveler  Um self-made man dos pastos, justo com os empregados, que oferece bois aos “invasores” de sua terra e não pede nenhum favor ao seu amigo senador – cuja campanha ele pagou com tantas arrobas. Fiel com sua mulher adúltera, embora ela fosse uma “perua” ingênua e fraca de caráter, o protagonista Bruno Mezenga (Antonio Fagundes) até namora uma bóia-fria sem-terra, ex-cortadora de cana que, como num bom conto de Cinderela, é a legítima herdeira de um...

Ilustração de D. Muste

Panidrom: o corpo de junho

Paulo Gajanigo Quando, em 2003, Boris Kovac e Ladaaba Orchest lançaram um disco intitulado Ballads at the End of Time, fiquei curioso para saber qual seria a trilha sonora do fim, não o fim do apocalipse, os estrondos crescentes, hollywoodianos, do que imaginamos ser a explosão de tudo, mas a trilha sonora do que existe depois da explosão destruidora. O mundo depois do fim (ou como Kovac intitulou o disco seguinte: World after History). O que se encontra é uma melancolia marcante, espessa...

Ilustração de Marlon Anjos

Quatro mitos sobre a “classe freelancer”

Sarah Grey (Tradução Fernando Pureza) Eu recebi uma estranha ligação no ano passado vinda de Duane Morris, uma firma internacional de direito baseada na Filadélfia. A mulher no telefone disse que a Duane Morris estava trabalhando com o ex-senador Blanche Lincoln e algumas das maiores corporações do mundo, como a Microsoft e o Google, para construírem juntos um “movimento popular” para auxiliar freelancers. Eu então perguntei como esse movimento faria isso e ela respondeu que as...

Escultura de Alfi Vivern

Estado, democracia e resistências: as Jornadas de Junho

 Gilberto Calil Em junho de 2013 ocorreram as maiores manifestações populares da história recente do Brasil, reunindo vários milhares de manifestantes, de diferentes estratos sociais e nas mais variadas regiões do país. O caráter pluriclassista, a diversidade de reivindicações e o fato de que a grande maioria dos manifestantes não tinha experiência política anterior propiciaram uma intensa disputa em torno dos rumos das mobilizações. A despeito da heterrogeneidade social e...

Grafite de Denis Pinho

Os sentidos de Junho

Ruy Braga As massivas manifestações pró-impeachment de Dilma Rousseff que tomaram as ruas das principais cidades brasileiras em março e abril deste ano confirmaram, ao menos aparentemente, as análises tanto de direitistas quanto de governistas a respeito das Jornadas de Junho de 2013. Para certos jornalistas ligados ao Instituto Liberal, Junho foi um levante de classe média galvanizado pelo MPL contra a corrupção do governo federal. Segundo esta perspectiva, a população teria...