Fotografia de Adria Meira

Aquarius e o “Fora Temer”

Paulo Gajanigo Antes de Aquarius chegar aos cinemas brasileiros, o debate sobre seu caráter político se adiantou com a manifestação do elenco do filme no Festival de Cannes. Sua estreia no Brasil em primeiro de setembro, um dia depois da aprovação do impeachment de Dilma no Senado, aumentou o sentimento de que a obra significava um martelo contra o golpe e pela democracia. Há inúmeros relatos de gritos em coro de “Fora Temer” ao final das exibições. Se muitos vão ver o filme como...

Colagem de Singh Bean

Junho como enigma, ainda

Paulo Gajanigo Quando perguntados por jornalistas ou alunos, muitos, eu estava entre eles, diziam que precisaríamos de tempo para entender o significado de junho, que seria muito cedo para defini-lo, que teríamos que aguardar os desenvolvimentos subsequentes. Hoje já não penso mais assim, sinto que está ocorrendo o inverso. Quanto mais o tempo passa, mais difícil é entender o significado de Junho. Ainda que faltem mais pesquisas sobre as manifestações, não acredito que isso esteja...

Ilustração D. Muste

O pacto social e estética em Que horas ela volta?

Paulo Gajanigo Um bom ator pode fazer qualquer papel, sabemos. Mas certos efeitos, muitas vezes, só são atingidos por meio de um ator específico. Por isso o diretor comemora quando acha o ator certo. Me lembro da boba polêmica sobre a escolha do casal Nicole Kidman e Tom Cruise para o filme De olhos bem fechados. Estranharam que Stanley Kubrick tenha os escolhido pois não seriam atores do universo cult que aprecia seus filmes. O diretor queria o casal, que o era na vida real, pois o filme...

Ilustração de D. Muste

Panidrom: o corpo de junho

Paulo Gajanigo Quando, em 2003, Boris Kovac e Ladaaba Orchest lançaram um disco intitulado Ballads at the End of Time, fiquei curioso para saber qual seria a trilha sonora do fim, não o fim do apocalipse, os estrondos crescentes, hollywoodianos, do que imaginamos ser a explosão de tudo, mas a trilha sonora do que existe depois da explosão destruidora. O mundo depois do fim (ou como Kovac intitulou o disco seguinte: World after History). O que se encontra é uma melancolia marcante, espessa...