Ilustração de Amalyn Malix

Elis Regina e os conflitos no campo musical brasileiro dos anos 1960 e 1970

Romulo Mattos I O filme Elis, de Hugo Prata, enfatiza a personalidade de Elis, sem aprofundar a explicação sobre a sua carreira. Essa característica estrategicamente contribui para a anulação das contradições de sua atuação profissional e das disputas que protagonizou no campo musical dos anos 1960 e 1970, principalmente. Essa crítica será desenvolvida com vagar neste texto. Como a obra cinematográfica inicia a história de Elis em abril de 1964, ela oculta a existência do primeiro...

Ilustração de Marlon Anjos

Cantando com a ditadura militar: um diálogo com a cinebiografia Elis

Romulo Mattos I O ponto mais polêmico do filme Elis, de Hugo Prata, diz respeito à participação da cantora nas Olimpíadas do Exército, que integravam a Semana da Pátria, em pleno governo Médici. A artista teria sido uma colaboradora da ditadura ou, ao contrário, uma vítima dos militares? A cinebiografia investe nessa segunda linha de interpretação, sem fazer qualquer concessão àquela primeira. No entanto, os expectadores mais críticos ficaram com uma pulga atrás da orelha...

Ilustração de Amalyn Malix

20 anos sem Renato Russo: o que a sua estreia com a Legião Urbana tem a dizer hoje para a política

  Romulo Mattos No contexto do vigésimo aniversário de morte de Renato Russo, verifica-se um forte avanço conservador no Brasil. Oposta a qualquer tipo de conservadorismo era a sua visão política, expressa em letras de música e em depoimentos concedidos à imprensa. Este texto trata da estreia de Renato Russo no mercado fonográfico, por meio do disco Legião Urbana (1985), no qual apresentou parte expressiva de sua abordagem politizada, que fez história do rock brasileiro, e...

Fotografia de Erick Dau

O que houve com o rock político brasileiro?

Romulo Mattos A provocação do título diz respeito ao comportamento da geração dos anos 1980 nos atuais tempos do golpe e do movimento “Fora Temer”, em vias de crescimento. Aqui cabe uma ressalva: não se trata de revisitar os tipos ideais do reacionarismo roqueiro fornecidos por Lobão e Roger Moreira, que se tornaram folclóricos nesse sentido. Enquanto o primeiro lançou um álbum com o título inspirado no pensamento de Olavo de Carvalho, o outro chegou a ponto de questionar o...

Fotografia de André Rodrigues

Festa imodesta: notas sobre a cerimônia de abertura das Olimpíadas

  Romulo Mattos e Rejane Carolina Hoeveler A cerimônia de abertura das Olimpíadas 2016 foi um sucesso, em termos técnicos. Não houve falhas perceptíveis e, em certos momentos, os efeitos de projeção impressionaram. Porém, conceitualmente, a festa teve muitos pontos questionáveis, da trilha sonora ao brevíssimo discurso de Temer, passando pelos personagens e pelo tipo de discurso exaltado ao longo do espetáculo. A grande mídia foi tomada por um orgulho patriótico que não era...

Ilustração de Marlon Anjos

“Pra não dizer que não falei das flores”: usos e desusos de uma canção da revolução (1968-2016)

  Romulo Mattos I Ao tratar da apropriação do rock brasileiro pelos DJs das passeatas em prol do impeachment – os quais procurei representar por meio da fictícia figura do “DJ Coxinha” –, observei que a direita selecionava naquela produção musical o tema do nacionalismo e da indignação contra os abusos dos governantes brasileiros. No entanto, descartava a ambiência de esquerda em que tais registros sonoros estavam inseridos quando se tornaram conhecidos, assim como a...