Ilustração de Jaime Prades

Capitalismo sem máscaras: sobre a PEC 241 (55)

Flávio Miranda Não é sem razão que a PEC 241 (agora PEC 55 no Senado Federal) ocupa o centro das discussões mais acaloradas sobre política econômica no país desde algumas semanas. [1] Como corretamente apontam uma série de analistas contrários à medida, trata-se de um sufocamento das possibilidades de políticas sociais no Brasil, deprimindo profundamente os gastos com as já deficientes saúde e educação públicas[2]. Mais do que isso, uma vez que se propõe o congelamento dos...

Fotografia de Amalyn Malix

Pinóquio e o economista liberal: a PEC do Teto vai aumentar o gasto público com educação?

Leonardo Leite Na batalha ideológica travada em torno da PEC 241 (ou, no Senado, PEC 55), parte da direita brasileira recorre a falsos argumentos para tentar convencer a população de que o Novo Regime Fiscal seria desejável. Por exemplo, no artigo “Mitos e verdades sobre a PEC 241” publicado n’O Globo[i], os autores dizem que os gastos federais com educação entre 2017 e 2026 seriam maiores com a PEC do que com a regra atual. Mostrarei rapidamente, nas linhas que seguem, como esse...

Fotografia de André Rodrigues

O fundo público para o capital (ou Por que o Rio de Janeiro quebrou?)

Juliana Fiúza Cislaghi Desde o fim de 2015, agudizou-se a crise econômica no Brasil, o que se reflete no aumento do desemprego, da inflação e nas restrições orçamentárias dos municípios, dos estados e da União. Em alguns estados da federação, como o Rio de Janeiro, a situação tornou-se especialmente dramática para seus servidores (com sistemáticos atrasos no pagamento de salários), e o conjunto da população sente na pele a decretada “calamidade financeira”, dada a falta...

Ilustração de Pierre Lapalu

PEC 241: de volta à terapia de choque

Rejane Carolina Hoeveler Quando o economista Milton Friedman viajou ao Chile do ditador Augusto Pinochet em 1975, apresentando-se como uma espécie de médico prescrevendo um receituário a um “país epidêmico”, ele clamava por um “tratamento de choque” para os problemas econômicos chilenos.[1] Alguns anos depois, o primeiro-ministro Egor Gaidar foi um dos artífices da transição russa a um capitalismo mafioso, conversão que ele chamava de “terapia de choque”. A jornalista...

Ilustração de Humberto Tutti

Com ou sem golpe: medo e esperança no futuro próximo brasileiro

Felipe Demier “Estamos bem na linha do desenvolvimento histórico, agora se vê que, por toda uma época, milhões de destinos vão seguir os caminhos que fomos os primeiros a trilhar. Na Europa, na Ásia, na América, gerações inteiras se desenraizam, engajam-se profundamente nas lutas coletivas, aprendem a violência e o grande risco, experimentam cativeiros, constatam que o egoísmo do “cada um por si” está caduco, que o enriquecimento pessoal não é a finalidade da vida, que os...

Fotografia de Luana Kava

O novo marco de C&T e o desmantelamento da universidade pública

Simone Siva Em outubro de 2015 escrevi sobre a possibilidade de estarmos diante de um novo padrão de pesquisa criado por um novo padrão de financiamento. Naquele texto[i], demonstrava que o modelo de financiamento público destinado à produção científica no Brasil vem sofrendo mudanças importantes que poderiam determinar uma alteração estrutural e ameaçadora aos programas de pós-graduação das universidades públicas. Somados às alterações no modelo de financiamento, os cortes...