Ilustração de D. Muste

A fortaleza letal da Europa

Richard Seymour (Tradução: Daniela Mussi) Minhas redes sociais estão repletas de crianças mortas. Pequenos corpos deixados pelo mar nas areias de praias mediterrâneas. Por que são carregados até ali? A vantagem de culpar os traficantes é que isso libera os governos para implementar medidas ainda mais repressivas. Mas os traficantes só estão ali para faturar em um sistema que os governos europeus criaram. É extremamente difícil entrar na “fortaleza Europa” sendo um refugiado...

Ilustração de D. Muste

Ellen Wood e o conceito de revolução burguesa: nota crítica

Demian Melo Há uma contribuição inestimável no trabalho da historiadora e politóloga norte-americana Ellen Meiksins Wood. Suas intervenções em debates como o da crítica às abordagens pós-modernas nos estudos históricos e na demolição da meta-narrativa liberal para a origem da democracia contemporânea são parte obrigatória da boa literatura marxista publicada no Brasil nas últimas décadas.[1] Lembro da força que a leitura de seus textos teve em minha formação no bacharelado...

Grafite de Denis Pinho

Sobre o direito à cidade e o socialismo

Sabrina Fernandes O discurso do direito à cidade é múltiplo e flexível. Ele é o foco de livros de geografia crítica, figura em tópicos de discussão da política institucional, e possui uma ressonância legitimadora quando debatido em mesas de grandes congressos e seminários. Esse último caso foi visível em um seminário nacional realizado recentemente pelo Governo Federal e outras entidades juntamente às Nações Unidas. Enquanto o Ministério das Cidades, encabeçado por Gilberto...

Ilustração de D. Muste

Os coveiros do capitalismo

Ellen Meiksins Wood (Tradução de Fernando Pureza) O “capitalismo” foi visto como uma palavra proibida nos últimos tempos, ao menos na política e na mídia dominante, que trataram ela como um termo pejorativo de esquerda. O que nós vimos em seu lugar foram termos como “empresa privada”, “livre-mercado” e similares. A palavra está novamente retomando seu lugar na linguagem cotidiana, mas seu significado tende a ser um pouco vago. Diante da pressão por uma definição de...

Escultura de Alfi Vivern

Quem é o precariado?

Ruy Braga A realidade de um número crescente de jovens em idade de entrar no mercado de trabalho em condições crescentes de deterioração da proteção aos trabalhadores surge como um fantasma saído diretamente do século XIX. Tal processo acusou a incômoda presença de uma fração de classe espremida entre a permanente ameaça da exclusão social e o incremento da exploração econômica: o “precariado”. Marx já havia exorcizado esse espírito ao associar o aumento da ocupação...