Ilustração de Antonio Máximo

A esquerda e a governabilidade: reflexões sobre a armadilha pemedebista

Joana Salém Vasconcelos “Isso não é democracia. É pacificação permanente.” (Paulo Arantes) Com este ensaio pretendemos discutir algumas implicações do golpe de 2016 para a esquerda brasileira, sobretudo no que diz respeito ao sistema partidário e aos limites da governabilidade no atual regime político. Vivemos um momento de ruptura autoritária. A bandeira da “legalidade democrática” foi erguida pelas esquerdas em defesa de parâmetros mínimos de democracia, como o respeito...

Colagem de D. Muste

O ponto a que chegamos: sobre a luta de classes na conjuntura do golpe de 2016

Marcelo Badaró Mattos A dinâmica dos tempos históricos não se orienta por caminhos muito lineares, nem se apreende por simples justaposições de análises sobre a longa duração das mudanças lentas e o ritmo mais acelerado dos acontecimentos conjunturais. O exercício de interpretação dos momentos de crise nos desafia a pensar sobre como as diferentes dimensões temporais dos fenômenos históricos se combinam em determinadas situações. Essa é sempre uma exigência para as análises...

Ilustração de Marlon Anjos

Consulta Popular e suas estratégias quixotescas

Fernando Luz Escrevo aqui algumas observações a respeito da Nota da Consulta Popular (CP) sobre o prognóstico político: A volta de Dilma e o caminho para as forças populares[1]. Trata-se de uma orientação estratégica em defesa da conclusão do mandato por Dilma, em que prescreve um alinhamento desta com um programa progressista profundo. Composto por reformas estruturais e uma Constituinte Soberana, se contrapondo aos interesses do capital financeiro internacional e de diversos setores...

Fotografia de Erick Dau

Para além da marolinha: a crise e a onda conservadora no Brasil

Demian Melo Uma análise dialética deve evitar entender a contradição como uma relação aritmética, onde a preponderância de um pólo deva implicar necessariamente na fraqueza relativa do outro. Na teoria da hegemonia de Gramsci, por exemplo, a relação entre coerção e consenso não implica que uma alta dose de consenso terá como par procedimentos de coerção mais soft. Vejamos um caso extremo. Na experiência do fascismo histórico, Mussolini e Hitler lideraram regimes políticos...

Colagem de Singh Bean

Mudaram os ministros, e agora?

Eric Gil Depois de muito ameaçar, finalmente Joaquim Levy deixou nesta sexta-feira o comando do Ministério da Fazenda, posto este que ocupava desde janeiro deste ano. Em seu lugar assumiu o então ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. Mas o que isto nos sinalizaria? Levy é, e sempre foi, o representante exclusivo de uma determinada fração de classe capitalista, a financeira. Ele nem sequer se esforçava para contemplar as outras frações que também compunham as forças que governam...

Fotografia de Erick Dau

O convite

Felipe Demier  “O que não faremos com quem nos faz mal, se condenamos quem nos ama?” (Dante Alighieri) Todos nós temos ou já tivemos aquela amizade que, seja pelo descuidado das partes envolvidas, seja pelo fim do seu prazo de validade, definhou até acabar. Sempre é um pouco triste, mas é assim. Muitas vezes, tal fato só se torna perceptível quando tomamos ciência, com certo atraso, de que o amigo distante noivou (alguém ainda noiva?), se casou, teve filhos e tal, mas nós não...