Ilustração Jaime Prades

Fome e revolta: exploração de classe e o protesto popular

  Kaio César Goulart Alves “O carioca é envenenado diariamente com os gêneros adulterados; é perseguido pela fome, porque pelos preços atingidos pelos alimentos se vê forçado a não comer; se não atura as veleidades pagãs de um imperador, suporta diariamente o peso das ambições desregradas dos homens de negócios que preparam trusts, e organizam com o mais franco cinismo a alta dos gêneros alimentícios ou das mercadorias indispensáveis à sustentação da vida”...

Bordado de Pedro João Cury

Uma tradição a ser lembrada: motins e revoltas contra a fome

Fernando Pureza Em fevereiro de 1858, a cidade de Salvador viveu um dos mais intensos motins da fome da história brasileira. O presidente da província da Bahia, José Lins Vieira Cansanção de Sinimbu, passara o ano anterior tentando desmantelar os mecanismos de controle público sobre o mercado de farinha na cidade, a contragosto de comerciantes e da população local. Defensor do “livre-comércio”, Sinimbu acabou gerando uma situação na qual os moageiros baianos viram atravessadores...